As vítimas de enchentes e soterramentos de casas dão entrevistas, ao sobreviver a catástrofes, um dos assuntos prediletos da mídia. A bem dizer alarmantes e aterradoras, as coberturas jamais tranquilizam, causando ainda maior pânico e terror. Munidos de carros, geradores, antenas e até helicópteros jornalistas não ajudam as pessoas: fazem o seu papel literal de bater o bumbo, apenas, como abutres, procurando uma carniça para se alimentar e publicar. Deprimente. É fundamental que o trabalho de cobrir estes eventos seja providencial e coloque no ar o que realmente interessa ao público, sem textos piegas e terroristas. Que a mídia evolua neste método de mostrar as calamidades com mais decencia, inclusive, fazendo ver que áreas importantes não foram afetadas, com clareza e não de forma nebulosa, usando closes sem contexto e amedrontador.
Por outro lado, trazer especialistas e puxar a orelha das autoridades e governantes servem de estímulo ao contribuinte cobrar com mais força.
Esperamos que imprensa ajude mais do que jogue lenha na fogueira, disseminando o medo, o pânico e até informações equivocantes.
A tragédia das cidades serranas faz lembrar, com certeza em escala bem menor, o ocorrido há quase um ano aqui em Niterói. E a lembrança me impulsionou a perguntar para Francisca, faxineira, a situação de parentes que moravam no local da tragédia ocorrida. Segundo seu relato, até o momento, nem aluguel social, nem nova moradia. Seus parentes se encontram em um abrigo recebendo pequenas ajudas dos familiares e amigos, e (pasmem!) sem nenhum registro que os possibilite buscar emprego e auxílio.
ResponderExcluirEnfim, o que continuamos assistir são as mesmas perguntas para as velhas e conhecidas respostas que não mais escondem a negligência. Acredito que nós é que temos que dar o tom humanitário, reaprendendo os sentidos do mundo, da vida, do outro, nos fazendo e refazendo diariamente nas interações com o próximo. É a doação, sim, e é a denúncia diária, sim, na esperança de ir para além do óbvio, das circunstâncias dadas e dos limites impostos. O meu tom é o mesmo do poeta Manoel de Barros: “O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê. É preciso transver o mundo". E, abusadamente, completo: é preciso transver para construir novas possibilidades de existir e conviver.
Geisa