As Forças Armadas precisam urgentemente abrir um canal de comunicação
com a sociedade.
É necessário levantar o debate público sobre os tempos da ditadura e
com o ponto de vista de quem viveu o lado "oficial".
Um marco de observação novo, dialético que venha a
questionar as imposições midiáticas, onde se reduz ao maniqueísmo
em que os civis eram bonzinhos e os militares, os vilões.
O silencio militar deve e pode ser quebrado,
senão de forma oficial, que venha através de publicações e estudos como o ORVIL.
(Para saber mais sobre o projeto Orvil clique aqui.)
A estrutura militar ainda é, no fundo, a mesma do período da ditadura:
sem trocas com a sociedade, e mais: deixa-se levar pela invasão das
atrocidades morais impostas pelos interesses do capital,
deixando vazar elementos como os vídeos postados na internet,
na admissão de recrutas e soldados sem preparo,
"catados" nas ruas, pois as famílias mais abastadas, não querem seus filhos nas
forças armadas, preferindo as universidades públicas (e às vezes a PUC, p.ex.).
Restam os concursos para os centros de referência como o IME, que exporta
seus melhores alunos.
Enquanto a sociedade brasileira e as Forças Armadas não se "enfrentarem"
(no bom sentido), a mídia servirá de instrumento de formação de opinião,
mantida por jornalistas, editores de redação (imprensa falada, escrita
e televisiva - os mais perseguidos pela tortura, onde colunistas,
artigos e reportagens eram sumariamente censurados).
Este é o momento das F.A. se manifestarem, mormente o Exército, apontando
os equívocos da novela do SBT "Amor e Revolução", opinando e livrando-se
da mordaça que a própria estrutura militar engessada se impôs.
Meu caro amigo,
ResponderExcluirComo já conversamos, a liberdade de expressão não existe dentro das Forças Armadas. Não é possível ao militar, da ativa ou da reserva, simplesmente chegar a um órgão da imprensa e expor suas idéias ou sua história. Os militares, por conta dos acontecimentos que antecederam à Revolução de 1964, não têm direito de associarem-se em sindicatos ou algo que o valha.
Por isso, eu reforço que para o militar que desejar se manifestar livremente ou ele deixa de sê-lo ou o faz com a certeza da punição, segundo o regulamento.
Como exemplo, cito os casos dos sargentos gays, que foram a um programa de televisão falar de preconceito. Foram devidamente punidos. Não por serem gays, mas por transgressão ao regulamento. Outro caso emblemático nesse sentido, foi o do Gen Heleno, Comandante Militar da Amazônia, que, ao criticar a política indigenista do então governo Lula, foi repreendido e transferido para um departamento burocrático (Dep. de Ciências e Tecnologia)e que no início deste mês, se retirou para a reserva.
Por essa e por outras fica difícil a qualquer militar expor suas idéias. Ainda mais, hoje em dia, em que as Forças Armadas são comandadas por um civil "pau-mandado" do governo.
Na realidade, esse debate que você propõe, muito apropriadamente, nunca vai acontecer.
Nas raras oportunidades em que vemos alguns militares em debate com a mídia, esta última não consegue sair do ranço da tortura.
Este vídeo mostra o programa Espaço Aberto, com Alexandre Garcia e que trata da Comissão da Verdade, do Congresso: (http://www.youtube.com/watch?v=bdrNYEluBw0).
Você perceberá que o pesquisador e o advogado fogem do assunto quando são questionados pelo Dep. Jair Bolsonaro.
Isso é uma oportunidade de se debater, mas a tônica fica somente no que as forças de repressão cometeram e o que o outro lado fez, tergiversa-se o assunto.
A "sociedade civil" não quer este debate. O debate deve ser imparcial. E a "sociedade" é que não quer ver a presidente do Brasil, assim como diversas outras autoridades estejam sendo colocadas em xeque.
Forte abraço.