Foi publicado no O Globo de domingo, 13/maio/12 (e no vespertino para tablet O GLOBO A MAIS) acerca do estado d´arte de Portugal. A crise econômica fez o governo portugês cortar o Ministério da Cultura inteiro e reduzi-lo a uma pessoa - Francisco José Viegas - Secretário de Estado da Cultura.
A frase que eu destacaria da reportagem, para suscitar esta perspectiva é a seguinte:
" Somos tratados
pelo governo
como 'subsídio-
dependentes.´ E
as empresas de
construção? Vivem
de contratos. " (Rui Xavier, artista plástico)
(Imediatamente reportei-me à política brasileira, onde as empreiteiras, cujos empresários são amigos e lobistas de políticos e governantes, mormente no Estado do Rio de Janeiro, fazem contratos bilionários com os governantes, uma vez que o estado brasileiro não subsidia a agricultura (área rural), mas financia as obras públicas (áreas urbanas)).
A crise por que passa o Estado lusitano remete ainda diretamente ao governo Collor, quando a cultura brasileira ficou reduzida ao entendimento de pó - com exceção da cultura de massa, de quem a televisão é a locomotiva.
A tristeza por que passa o metier artístico ultramar é flagrante e uma "metáfora real", por assim se dizer, é ponto de encontro de um submundo para poetas: um bar subterrâneo em Lisboa - o Bartleby, "em homenagem ao "Bartleby" de Melville (personagem que sempre responde: "Preferia não o fazer". A declinação como resistência)." No entanto, o meio está dividido entre os que ficam e os que abandonam. (Lembra o governo Médici (1969-1974), com o célebre slogan -"Brasil: ame-o ou deixe-o" (e cuja audácia ideológica do regime da época resume o reconhecimento do Estado Brasileiro frente à resistência).
No Brasil, a Rede Globo estava gerando as Organizações Globo - não se falava em perseguição, nem se fazia propaganda declarada, nem do Capitalismo e nem contra o Comunismo (tudo era subliminar, a única parte inteligente da ditadura brasileira).
E é justamente a ditadura do capital, mais esperta e sabida do que a militar, cunhando o termo mídia, a responsável pela esquizofrenia da cultura em Portugal. É bem verdade que o Estado português e a Fundação Gulbenkian "viciaram" os artistas de lá. Era uma migalha da política socialista anterior deixada às vésperas da crise mundial; política que foi dizimada com a hegemonia da Direita na Europa (apesar deste quadro estar mudando com as eleições em França, com a subida de François Hollande).
Sem editais e sem projetos, 2013 é uma incógnita de parâmetros conhecidos em Portugal, preconizam alguns.
É a verdadeira face do Capitalismo frente à Cultura.
Se o jornal O Globo publicou isso, é porque não há como esconder a verdade, nem sendo tão conservador. É impossível ignorar a crise econômica e a imprensa se vê obrigada a publicá-la. O surpreendente é a "coragem" de se mostrar as consequências disso". Claro que escolher Portugal para fazê-lo é uma forma eufêmica de passar pelos editores conservadores...
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